23 abril 2011

O Corpo Fala

O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
O coração enfarta quando chega à ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Preste atenção!
O plantio é livre, a colheita, obrigatória ...
Preste atenção no que você esta plantando, pois será a mesma coisa que irá colher!!
Desejo que você se cuide, porque sua saúde e sua vida dependem de suas próprias escolhas!!!

Escolha ser feliz!!!!

(Autor Desconhecido)

Para Refletir - Conto Feliz Felícia

Havia uma moça que se chamava Felícia. Ela era uma moça muito prestimosa, que gostava de ouvir as pessoas. Por isso, quando alguém tinha algum problema, era muito comum que fossem procurar por Felícia para contarem o que estavam sentindo. Felícia ouvia essas pessoas com muito interesse, demonstrando muita atenção ao que lhe era contado. Felícia não ouvia apenas as estórias das pessoas que conhecia. Ela costumava ouvir qualquer pessoa que lhe dirigisse a palavra e, muito frequentemente, dava seu parecer em relação às estórias ou problemas que as pessoas lhe contavam.

 Assim, Felícia sabia a respeito de muita gente. Conhecia suas vivências, seus dramas, seus desejos e fantasias. Analisava minuciosamente as situações que lhe eram contadas e se imaginava no lugar das pessoas com quem conversava. Imaginava-se dando soluções para os mais variados problemas que ouvia.

Desde muito jovem Felícia era assim: disponível e animada para uma longa conversa. Mas um dia, sem saber porquê, Felícia começou a sentir triste. Sentia uma angústia que não sabia explicar de onde vinha. Era como se tivesse uma bolota de ar no estômago, como se sentisse uma vontade permanente de chorar. Não sentia ânimo para cuidar de seus afazeres, não tinha planos e começou a se irritar com facilidade.

Felícia começou a achar que nada de interessante acontecia. Nada. Nem em sua casa, nem em sua cidade, nem em sua vida. Cada vez mais, Felícia achava a vida enfadonha e passou a dormir cada noite mais cedo. Dormir era o que ela mais queria fazer e, sempre antes de adormecer, pensava que sua vida era vazia porque nenhuma novidade acontecia. Ela se sentia desesperançada, desanimada, vazia e sem paciência para ouvir as estórias das outras pessoas. Para Felícia, todas as estórias lhe soavam complicadas e repetitivas. Até seus sonhos passaram a ser repetitivos.

Felícia percebeu que todas as noites sonhava o mesmo tipo de sonho. Ela sonhava que se dirigia até a estação de trem da sua cidade, sempre na mesma parte do dia, sempre na mesma hora, ficava bem na beira da plataforma, sempre no mesmo lugar, olhando para bem longe, lá longe onde seus olhos faziam as paralelas dos trilhos se encontrarem. Depois de muito esperar, Felícia via a locomotiva puxando vários vagões, soltando fumaça por entre as ferragens. No sonho, Felícia sempre comparava a maria-fumaça com uma fera forte que descansava alguns minutos antes de recomeçar sua corrida desenfreada. No momento em que o trem parava, Felícia aguçava a visão para ler o que estava escrito bem na frente da maria-fumaça. Em letras brancas e bem grandes lia-se: TREM DA FELICIDADE.

Felícia, então, olhava as portas dos vagões se abriam e esperava que um carregamento de grandes novidades saísse de dentro deles. Mas, para sua decepção, Felícia percebia que eles estavam sempre vazios. Não havia gente, nem carga de novidade, nem coisa alguma. Por alguns momentos a única coisa que existia na estação era um silêncio profundo, silêncio de lugar distante, de casa vazia. Mas de longe, ouvia-se passos compassados que se tornavam mais fortes na medida em que se aproximavam da plataforma. Felícia olhava para a outra ponta da plataforma e via uma pessoa se dirigindo a um dos vagões. Cada vez que ela sonhava era uma pessoa diferente que entrava. Às vezes era alguém conhecido, às vezes apenas uma das pessoas que havia lhe contado sua estória de vida, às vezes era alguém que ela simplesmente não conhecia.

O trem, então, começava a se movimentar para recomeçar sua jornada. A maria-fumaça parecia um dragão de aço soltando baforadas brancas e quentes e num arranque, puxava seus vagões com toda força e energia. Felícia ficava ali parada, olhando o trem e seu passageiro solitário se afastarem casa vez mais sobre os trilhos que, na verdade, Felícia nunca parou para pensar onde é que eles chegavam. E era assim todas as noites. Esse sonho se repetia sempre com o mesmo começo e o mesmo fim. Só mesmo as pessoas embarcavam no trem eram diferentes, uma de cada vez.

Certa noite, Felícia sonhando o mesmo sonho, percebeu que a pessoa estava embarcando num dos vagões era o Tristão, seu amigo de longa data. Felícia e Tristão cresceram praticamente juntos, estudaram na mesma escola, na mesma sala de aula, iam sempre juntos ao cinema, à sorveteria, enfim, estavam sempre em companhia uma do outro. Passavam horas conversando, discutindo as razões de suas existências, os caminhos que suas vidas seguiam, as peças que o destino lhes pregava, seus amores perdidos e tudo mais que se referia a vivência humana. Eram grandes amigos.

Mas um dia, Tristão contou a Felícia que iria embora, morar na cidade grande. Enquanto conversavam a respeito de tal decisão tão importante em sua vida; tristeza por saberem que com essa mudança seria difícil estarem juntos como eram acostumados. Mas como dizem, se a vida não esperava, o trem é que não iria fazê-lo. Tristão soltou para um vagão e partiu.

Ao contrário do que combinaram, eles quase não mantiveram contato depois que Tristão se mudou. Não por falta de interesse, mas porque Tristão se viu obrigado a estar muito atento a todas as coisas novas que estava acontecendo e vivenciando na cidade grande.

Quando acordou do seu sonho rotineiro, no qual via seu amigo partindo como fizera de verdade, Felícia sentiu-se muito saudosa do tempo em que estavam sempre juntos. Resolveu escrever uma longa carta ralhando com Tristão por causa do longo período sem que ele lhe mandasse notícias. Enviou a carta e ficou esperando uma resposta que trouxesse recordações dos velhos tempos.

Os dias se passaram, Felícia continuava achando sua vida carente de novidades. Continuava sonhando o mesmo sonho e ansiava pela resposta de seu amigo. Esta finalmente chegou, mas ao contrário do conteúdo saudoso que pensava encontrar, Tristão dizia o seguinte:

“Minha amiga,

Recebi sua carta na qual você praticamente me deu uma bronca por eu não estar lhe escrevendo tão constantemente como havíamos combinado. É que a vida aqui na cidade grande é tão corrida que mal me sobra tempo para pensar. Mas não vou culpar o tempo pela minha falta de contato. Na realidade sinto que estou tão distante que nem sei se tenho algum assunto que lhe possa interessar. Depois que recebi sua carta, lembrei de muitas das longas conversas que costumávamos ter, de como você gostava de ouvir as minhas queixas e tentar encontrar soluções para as minhas dificuldades. Percebi que era assim que você agia com todo mundo. Vivenciava as questões dos outros e se esquecia de construir sua própria estória. Acabei me dando conta que, até certo ponto, eu costumava agir da mesma maneira e vivia achando que a minha vida era sem graça e que nada de novo acontecia. Cansei disto. Percebi que eu assumia uma postura de esperar que o destino me trouxesse uma grande mudança, algo de novo que modificasse completamente o rumo da minha vida. Mas entendi que, quando o destino não muda nossas vidas, nós é que temos que fazê-lo. Tomei o trem (da vida), caí nos trilhos e aprendi que a vida é uma jornada que nos oferece muitas oportunidades. Nos cabe identificar e escolher qual oportunidade queremos agarrar. Tomando o trem da vida, podemos avançar, recuar, mudar de caminhos, descansar e retornar à jornada. Caí muitas vezes, mas aprendi que há tempo até para se levantar novamente.

É minha amiga, realmente não posso culpar a falta de tempo pelo nosso afastamento. O que nos tem distanciado é a minha mudança de atitude.

Gostaria de te dizer muitas coisas, mas não tenho mais vontade de escreve tanto como costumávamos fazer nos nossos anos de colégio. Tenho medo de ter parecido áspero nas palavras e por isso te aviso que muito há para ser dito, mas são coisas que não cabem numa carta. Por isso te desafio: tome o trem, faça uma viagem. Se não quiser me visitar para esclarecer tudo o que te digo nesta carta, escolha o destino, siga para outros lugares mas mude de atitude...
Beijos.

Tristão.

ET: só não se esqueça de me mandar postais dos lugares que conhecer.

            Felícia leu aquela carta e sentiu-se incomodada. Ela ilustrava muito de sua realidade, mas realmente sentiu-se um pouco agredida, principalmente por ter sido Tristão quem lhe escrevera aquelas coisas. Mas, por fim, Felícia refletiu acerca do conteúdo da carta. Pensou longamente e, enquanto pensava, dirigia-se à estação de trem. Chegando lá, ela posicionou-se no mesmo local que costumava estar em seus sonhos e ficou esperando o momento em que o trem chegaria. Ao longe, então, percebeu que este se aproximava, diminuindo sua velocidade para parar rente à plataforma de embarque. Quando ele finalmente parou, Felícia percebeu-se diante de uma das portas do vagão. A porta se abriu e, vendo o interior do vagão, sabia que dispunha de poucos minutos para decidir se entraria ou se simplesmente abriria espaço para que as demais pessoas na plataforma embarcassem naquele que poderia ser o trem de suas vidas.


REFLEXÕES:
  1. O que você acha que Felícia fez?
  2. Quais atitudes suas você acha que estás repetindo?
  3. Se tivesse que mandar uma carta para você mesmo, o que escreveria? Fale de seus defeitos, qualidades, desejos e opções de mudanças.
Autor: Marcelo Lovato Pena