27 outubro 2011

Dependência Química, Doença ou Irresponsabilidade?

Atualmente tem se falado muito na epidemia do crack e outras drogas psicoativas lícitas ou ilícitas (álcool, cocaína, maconha, etc.), mas será que sabemos o que é a Dependência Química? Como ela age no organismo da pessoa?

Ouço muito as frases direcionadas as pessoas usuárias: “ele é um vagabundo”, “não tem vergonha na cara”,” não para porque não quer?”, “é safadeza!”, "é falta de caráter". Será que é isto mesmo?

Não, não é nada disto! A Dependência Química é uma doença (incurável, progressiva e mortal) reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que age no organismo da pessoa causando graves prejuízos físicos, psicológicos e sociais.

A dependência física altera o funcionamento do organismo quando a droga entra na corrente sanguínea e o corpo passa a necessitar cada vez mais da droga causando então a dependência química. Isto se dá através do sistema de recompensa cerebral (rede de neurônios), área responsável pelas sensações de prazeres, atuando como uma recompensa sempre que fazemos algo prazeroso que nos leva a repetições.

Sua atuação normal é através dos estímulos das funções fisiológicas (comer, beber e reproduzir), mas o sistema de recompensa também atua com o uso abusivo de álcool e outras drogas psicoativas, gerando um prazer muito mais intenso do que as funções fisiológicas naturais.

Sendo assim, as drogas para os usuários são tão necessárias quanto o alimento, água e repouso. É um desejo incontrolável, a droga se torna fundamental para que a pessoa possa continuar a viver!

Dentro do que já dissemos, a droga é boa! É uma fonte de prazer tão intensa que podemos comparar com vários orgasmos de uma única só vez.

Então qual o problema? O problema são as consequências que este uso traz! Consequências físicas, psicológicas, profissionais, familiares. A pessoa perde/abandona totalmente sua vida para que consiga buscar esta sensação de prazer que geralmente é imediato (minutos ou horas), ao passar o efeito a pessoa sai desesperadamente para consumir mais e mais a “sua droga de preferência”, podendo chegar a atos extremos (prostituição, roubos, assaltos, etc.), perdendo seus valores pessoais, sociais, familiares, profissionais, éticos, etc.

Existe tratamento para que a pessoa se mantenha abstinente (sem uso das drogas psicoativas)?

Sim, existem diversas formas de tratamento dependendo do grau em que se encontra a sua dependência química (acompanhamentos psiquiátricos, psicológicos, alcoólicos anônimos, narcóticos anônimos, internações, etc.).

Geralmente o tratamento causa grande sofrimento e angústia para a pessoa usuária e para a família que também adoece.

No tratamento a pessoa terá que aprender a controlar a vontade de usar sua “droga de preferência”, pois não existem remédios para cortar está vontade. Imagine aquele delicioso bolo de chocolate que adoramos e que não poderemos nunca mais comer!

No tratamento a pessoa passará por uma reestruturação pessoal, reconhecimento de si mesmo, de seus sentimentos, dos valores sociais, resgate do convívio familiar, etc.. Terá que reaprender a lidar com suas frustações, resolver seus problemas, lidar com o dinheiro, rever suas amizades, locais que frequentavam etc., estes são alguns fatores imprescindíveis para que a pessoa se mantenha abstinente e a afastem de situações de risco que poderá levá-lo a uma recaída.

Este é uma pequena descrição do que é a Dependência Química e seus efeitos.

Espero que você leitor, possa parar e refletir sobre assunto e tentar mudar a sua visão dessas pessoas que são discriminadas, excluídas, mas que no fundo são seres humanos tentando sobreviver ao descontrole de si próprio.

Simone Aparecida Baldavia Girotto
Psicóloga – Equipe EDH

13 outubro 2011

Transtorno de Pânico

Caracterizado como uma crise de ansiedade, o Transtorno de Pânico, antigamente conhecido como Síndrome do Pânico, causa um sofrimento enorme aos portadores.

Os sintomas revelam-se com uma angústia intensa, aperto no peito, sudorese, calafrios, formigamento nas mãos e pés, taquicardia, falta de ar, sensação de morte iminente, sensação de desmaio freqüente, choro sem motivo aparente e medos de fazer coisas comuns ao cotidiano.

Em geral, ao perceber os sintomas, o paciente procura um pronto-socorro, porém, não há nenhum exame que determine o transtorno de pânico, pois é um sofrimento psíquico que, somatizado, acaba refletindo no estado físico e com isso, retarda o diagnóstico. Comumente o paciente é medicado, sua ansiedade é controlada e é dispensado do hospital, porém, como não está sendo realizado um tratamento específico, as possibilidades dos sintomas persistirem e esse paciente retornar ao posto médico são grandes.

O ideal é que o diagnóstico seja feito por um médico especializado, sendo o psiquiatra, que acompanhará esse paciente com um tratamento direcionado. O medicamento é necessário nesse momento para auxiliar o paciente a sair da crise e aliviar os sintomas, e em paralelo, deve procurar um psicoterapeuta para auxiliá-lo a entender as causas da manifestação desse transtorno e aprender a controlá-lo.

É comum que o paciente sinta medo de sentir medo, mas existe tratamento e a função da psicoterapia é fortalecer esse paciente para lidar com suas questões e tornar-se cada vez menos dependente de um tratamento medicamentoso.

Mas atenção: é possível evitar esse tipo de sofrimento se você já faz terapia, pois certamente está em um processo de autoconhecimento e já consegue lidar com suas questões, ou pelo menos já tem um profissional capacitado para auxiliá-lo. Então... Faça Terapia!


Kely A. Oliveira Torrente Barreto
Psicóloga Equipe EDH