Ouço muito as frases direcionadas as pessoas usuárias: “ele é um vagabundo”, “não tem vergonha na cara”,” não para porque não quer?”, “é safadeza!”, "é falta de caráter". Será que é isto mesmo?
Não, não é nada disto! A Dependência Química é uma doença (incurável, progressiva e mortal) reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que age no organismo da pessoa causando graves prejuízos físicos, psicológicos e sociais.
A dependência física altera o funcionamento do organismo quando a droga entra na corrente sanguínea e o corpo passa a necessitar cada vez mais da droga causando então a dependência química. Isto se dá através do sistema de recompensa cerebral (rede de neurônios), área responsável pelas sensações de prazeres, atuando como uma recompensa sempre que fazemos algo prazeroso que nos leva a repetições.
Sua atuação normal é através dos estímulos das funções fisiológicas (comer, beber e reproduzir), mas o sistema de recompensa também atua com o uso abusivo de álcool e outras drogas psicoativas, gerando um prazer muito mais intenso do que as funções fisiológicas naturais.
Sendo assim, as drogas para os usuários são tão necessárias quanto o alimento, água e repouso. É um desejo incontrolável, a droga se torna fundamental para que a pessoa possa continuar a viver!
Dentro do que já dissemos, a droga é boa! É uma fonte de prazer tão intensa que podemos comparar com vários orgasmos de uma única só vez.
Então qual o problema? O problema são as consequências que este uso traz! Consequências físicas, psicológicas, profissionais, familiares. A pessoa perde/abandona totalmente sua vida para que consiga buscar esta sensação de prazer que geralmente é imediato (minutos ou horas), ao passar o efeito a pessoa sai desesperadamente para consumir mais e mais a “sua droga de preferência”, podendo chegar a atos extremos (prostituição, roubos, assaltos, etc.), perdendo seus valores pessoais, sociais, familiares, profissionais, éticos, etc.
Existe tratamento para que a pessoa se mantenha abstinente (sem uso das drogas psicoativas)?
Sim, existem diversas formas de tratamento dependendo do grau em que se encontra a sua dependência química (acompanhamentos psiquiátricos, psicológicos, alcoólicos anônimos, narcóticos anônimos, internações, etc.).
Geralmente o tratamento causa grande sofrimento e angústia para a pessoa usuária e para a família que também adoece.
No tratamento a pessoa terá que aprender a controlar a vontade de usar sua “droga de preferência”, pois não existem remédios para cortar está vontade. Imagine aquele delicioso bolo de chocolate que adoramos e que não poderemos nunca mais comer!
No tratamento a pessoa passará por uma reestruturação pessoal, reconhecimento de si mesmo, de seus sentimentos, dos valores sociais, resgate do convívio familiar, etc.. Terá que reaprender a lidar com suas frustações, resolver seus problemas, lidar com o dinheiro, rever suas amizades, locais que frequentavam etc., estes são alguns fatores imprescindíveis para que a pessoa se mantenha abstinente e a afastem de situações de risco que poderá levá-lo a uma recaída.
Este é uma pequena descrição do que é a Dependência Química e seus efeitos.
Espero que você leitor, possa parar e refletir sobre assunto e tentar mudar a sua visão dessas pessoas que são discriminadas, excluídas, mas que no fundo são seres humanos tentando sobreviver ao descontrole de si próprio.
Simone Aparecida Baldavia Girotto
Psicóloga – Equipe EDH
Ótimo desfecho! Parabéns!
ResponderExcluirExcelente texto, vou compartilhar!
ResponderExcluirParabéns pelo trabalho.