Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar...
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Num contexto médico ou psicológico, quando se diz que alguém enlouqueceu, está-se afirmando que essa pessoa desenvolveu uma doença psiquiátrica que a priva do uso da razão.
Mas o verbo enlouquecer também faz parte do vocabulário cotidiano e carrega em si uma representação do senso comum distante do contexto clínico, na medida em que é empregado para nomear atitudes que parecem estranhas, incomuns, insensatas e excentricas.
O poema Ismália, de Alphonsos Guimaraens, em seu primeiro verso, grafa a palavra enlouqueceu e nos apresenta possibilidade dual quanto ao seu significado: Ismália teria entrado em surto e se suicidado por conta de delírios ou teria perdido o equilíbrio emocional momentaneamente, conduzindo-a a tal desfecho?
Muitas análises podem ser feitas a partir de enfoques litrários, filosóficos, gramaticais, etc. Aqui, desejamos utilizar o poema como um estímulo para reflexão pessoal, livrando o leitor da preocupação de fazer uma análise "formal", "correta" ou "errada".
Para isso, sugerimos algumas perguntas que poderão figurar como roteiro para uma análise pessoal de atitudes cotidianas:
1- Qual é a sua definição da palavra ENLOUQUECER? (Não vale a definição do dicionário!)
2- De que maneiras podemos "enlouquecer"?
3- Quantas vezes você interpreta imagens opostas mantendo um só ponto de vista?
4- Como saber em qual imagem acreditar?
5- Quanto você deseja coisas que estão fora da sua realidade?
6- Querer duas coisas ao mesmo tempo, muitas vezes nos obriga a fazer escolhas, e toda escolha implica numa renúncia. Como você lida com essa verdade?
7- Quanto você valoriza suas conquistas?
8- Quanto você alimenta o amargo de suas derrotas?
9- Quais atitudes você tomou na vida que foram rotuladas como "loucura"?
10- Como você reagiu à crítica dos outros?
Ficam essas indagações para você refletir a respeito dos seus desejos, metas, conquistas e frustrações. O momento é propício, pois estamos encerrando o ano e um novo tempo se anuncia, trazendo a possibilidade de mudanças.
A Equipe do EDH – Espaço de Desenvolvimento Humano
aproveita o momento para desejar a todos Boas Festas!
Marcelo Lovato Penna
Psicólogo Equipe EDH
Adorei o poema e as questões para reflexão são ótimos!
ResponderExcluirTelma