08 dezembro 2011

Síndrome de Otelo

Por volta de 1603, William Shakespeare escreveu a peça “Otelo – O Mouro de Veneza”, um texto que se tornou um grande clássico da literatura universal que em 1995 ganhou formato cinematográfico.

O ciúme patológico também é conhecido pelo nome de Síndrome de Otelo, recebeu esse nome em referência ao texto de Shakespeare. Nessa história trágica, o personagem Otelo foi induzido por seu alferes Iago a duvidar da fidelidade de sua esposa Desdêmona junto com seu amigo Cássio. Quando Otelo fica totalmente dominado pelo ciúme que sentia pela esposa, acreditando que ela o traía com seu amigo, ele a mata, sem desconfiar que estivesse sendo vítima dos planos de Iago.

Não há como medir a diferença entre o ciúme considerado normal e o ciúme patológico, isso torna mais complicado definir até que ponto o ciúme é ou não saudável. Porém, um fator considerável que sinaliza o quanto o ciúme já ultrapassou os limites do bom senso é o sofrimento do casal.

Algumas características ajudam a identificar se um indivíduo está ou não sendo vítima dessa síndrome. A pessoa está sempre fazendo interpretações distorcidas da realidade, por isso não consegue provar concretamente nenhuma suspeita, não há explicações racionais para justificar a suspeita de infidelidade do parceiro, sente que o relacionamento está sendo ameaçado constantemente, teme perder o parceiro para uma terceira pessoa, sua vida é prejudicada por seus próprios pensamentos, emoções e comportamentos extremos.

Dentre esses comportamentos estão, por exemplo, examinar bolsos, ler e-mails, ouvir conversas no telefone, vasculhar a carteira, seguir a pessoa, contratar detetive particular, telefonar e interrogar constantemente, proibir o uso de algumas roupas, não deixar que o parceiro saia sozinho, exigir que se afaste de algumas pessoas, etc. Porém, mesmo com todos esses comportamentos, o provável é que não encontrem alívio para o sofrimento intenso de ambos, ao contrário, tudo isso contribui para destruir aos poucos a harmonia do relacionamento.

A pessoa portadora do ciúme patológico realmente acredita na infidelidade do parceiro, para ela é real, mas como não consegue comprovar o fato, isso lhe causa muito sofrimento, principalmente porque o parceiro além de negar a existência de uma terceira pessoa, também verbaliza que o outro está inventando coisas que não existem.

Por isso, o ciúme patológico é um delírio, que tem sua limitação apenas no parceiro quanto sua fidelidade. Existe a possibilidade de agressão física e psicológica com seus parceiros e com outras pessoas que acreditam existir algum tipo de envolvimento com eles.

Um outro fator importante é que a pessoa com a Síndrome de Otelo duvida do amor que o parceiro sente por ela, não se sente amada, valorizada ou importante para o parceiro, problemas com a auto-estima são evidentes. Com isso, estar em um relacionamento como este é significativamente penoso, pois as brigas, cobranças, justificativas e ameaças são presentes e desgastantes. Nesse momento, sem a ajuda de um profissional terapeuta e psiquiatra fica difícil o entendimento do problema que é tratável e tem uma grande possibilidade de melhora.

Link do trailer do filme, dirigido por Oliver Parker (1995):

 Josiane Marques de Souza
Psicóloga Equipe EDH

Um comentário:

  1. Já vivenciei um relacionamento onde o cíume superou todos os sentimentos bons que existia. Por mas que demonstrasse o quanto o outro era importante e valoroso em minha vida sempre surgiam as desconfianças e brigas. O fim do relacionamento foi inevitável e o amor que existia se transformou em pavor e repulsa

    ResponderExcluir