06 abril 2012

O menino

Eles queriam ser prósperos, subir na vida, oferecer ao menino tudo aquilo que não tiveram quando crianças. Eles queriam ganhar todo o dinheiro que lhes dessem condições para que o menino tivesse bastante brinquedos, calçados bons e roupas caras. Haveria de chegar o tempo do ingresso à escolinha, ao ensino fundamental, ao ensino médio, claro, sempre em escolas particulares para que o menino diferenciado pudesse se destacar na profissão, ser um homem de sucesso e com vida financeira confortável.

Eles queriam que o menino tivesse patins, bicicleta, tablets, iPod, celulares e todos os artigos que o colocasse em destaque dentro do seu grupo de amigos. Seria bom que comprassem um jet ski, também, para rasgar as águas do oceano sem barreiras. Eles iriam passar as férias num condomínio elegante de uma praia fashion. Mas, nesse mesmo balneário, por uma fatalidade, o menino atropelaria um banhista com o tal do jet ski e, então, todos da família precisariam do dinheiro para fugirem do flagrante do crime num helicóptero alugado.

Precisariam usar dinheiro para pagarem bons advogados que iriam livrá-los de consequências jurídicas graves. Depois de um tempo, tudo voltaria ao normal e seria hora de dar ao menino um carro 0 km, com a cor da moda, todos os acessórios opcionais e um som bem potente para mostrar a todos quão cafona pode ser um ser humano.
  
E o banhista? Oras, o banhista era apenas uma fatalidade na vida do menino.
 - Para refletir:
  
1) Quem são "eles"?
2) Quem é o "menino"?
3) Quem somos nós?
4) Quanto do "menino" e "deles" temos em nós?
5) Quão pertos/distantes estamos deles?
6) Quando "somos"?
7) Quando "temos"?

Marcelo Lovato Penna
Psicólogo Equipe EDH

Um comentário:

  1. Realmente maravilhoso esse texto, álias mais um dentro de muitos!!!!

    Gosto e admiro muito o trabalho de vocês.

    Parabéns!

    Nicoly Amorim.

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