24 junho 2012

O drama do Transtorno Factício

          A palavra “factício” significa artificial, ou seja, o que não é produzido naturalmente. Pacientes que apresentam o transtorno factício produzem um comportamento repetido de produção intencional de sintomas físicos ou psicológicos, o objetivo para esse comportamento é assumir o papel de doente, porém incentivos externos estão ausentes. Essas características diferem do que é uma simples simulação ou hipocondria, sendo que a primeira visa conscientemente fingir uma doença para evitar deveres ou obter ganhos materiais e a segunda acorre quando a pessoa realmente acredita que esta doente.

Richard Asher foi um médico britânico que em 1951 descreveu um paciente que enganou inúmeros médicos simulando doenças. Ele conhecia a história do famoso herói de guerra, o barão Karl Friedrich Hieronymus Von Munchausen (1720-1797), que após sua aposentadoria da cavalaria alemã passou a viajar pela Alemanha e contar histórias fantásticas e fantasiosas sobre suas aventuras militares. Asher, logo associou o barão com os pacientes que procuravam os hospitais contando mentiras fabulosas de modo exagerado, nomeando assim esses pacientes com o termo “Síndrome de Munchausen”.

A Síndrome de Munchausen é um subtipo de transtorno factício grave de resistência crônica e com sintomas predominantemente físicos. São pacientes que buscaram ajuda médica em diversos hospitais relatando seu histórico de doenças de forma dramática, porém plausível e abandonaram o tratamento após terem sido descobertos.

Outro subtipo é o transtorno factício por procuração que essencialmente é a produção de sintomas em outra pessoa que esta sob os cuidados do indivíduo. Na maioria deles é a própria mãe quem produz os sintomas em seu filho, sendo colaborativa no início e depois exigente demais com os médicos. O transtorno factício por procuração é considerado abuso infantil, um ponto importante a ser observado é a melhora da criança quando esse cuidador é afastado, porém isso dificilmente ocorre já que existe a recusa em se afastar da criança.

Não há dados conclusivos para se traçar um perfil de pessoas que corram o risco de serem possíveis vítimas desse transtorno, apenas observações como: prazer patológico de ser paciente; medo de rejeição e abandono; doenças crônicas na infância; histórico de abuso sexual; doença física ou psicológica dos pais; abandono na infância ou negligência nos primeiros anos de vida; etc.

Seja qual for o subtipo de transtorno factício ele traz um perigo real, pois para se chegar a esse diagnóstico os outros vão sendo excluídos por meio de exames e procedimentos médicos, é importante evitar que o paciente seja submetido a tratamentos desnecessários para assim impedir a cronificação do quadro ou até mesmo a morte.

A equipe médica deve ter o esclarecimento de que esses pacientes estão doentes e sofrendo, para conseguir lidar com a raiva, frustração e o sentimento de ter sido enganado, para assim, confrontar com habilidade esse paciente da melhor maneira, encaminhando-o para uma avaliação psiquiátrica e acompanhamento terapêutico.

Seguem algumas dicas para quem quiser saber mais sobre o assunto:

Livro: As Loucas Aventuras do Barão Munchausen de Rudolph Erich Raspe.
Filme: As Aventuras do Barão Munchausen, lançado pela primeira vez em 1943, nova versão em 1988.
Link: entrevista sobre o tema Síndrome de Munchausen com uma psicóloga e um psiquiatra: http://www.otv.tv.br/video/sindrome-de-munchausen/
Livro: Temas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica, Sérgio Paulo Rigonatti, Ed Vetor.


Josiane Marques de Souza
Psicóloga EDH

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