02 dezembro 2012

Compulsão Alimentar

          Nesta atualização do blog, quero falar um pouco sobre o conceito de compulsão alimentar através do e compartilhar uma das visões que a psicologia análitica de C.G. Jung propõe.
 
A compulsão alimentar é um transtorno caracterizado por comportamentos recorrentes e está associado à perda do controle no consumo da comida. Quando pensamos em compulsão alimentar ou comer compulsivo, estamos nos referindo à pessoa que come grande quantidade de alimentos rapidamente, perde o controle e não consegue interromper a refeição mesmo quando se sente estufada ou plenamente saciada. Para caracterizar esse comer como doença é preciso que ocorra pelo menos duas vezes por semana. A compulsão alimentar pode ocorrer em pessoas de qualquer sexo, raça, idade ou posição socioeconômica.
 
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV) Os Transtornos Alimentares são nomeados em três categorias:
 
Anorexia Nervosa: recusa do alimento devido à imagem distorcida corpórea, a pessoa tema percepção de estar além de seu peso, medo intenso de engordar, e entra em dietas drásticas, chegando a desnutrição de seu corpo.
 
Bulimia Nervosa: episódios de compulsão alimentar, seguidos de métodos compensatórios para a prevenção do aumento de peso. Estes métodos são a indução do vomito, ingestão de laxantes, diuréticos, exercícios em excesso.
 
 Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica: episódios de compulsão alimentar, associados a sintomas específicos relativos à perda de controle alimentar seguidos de angústias relativo ao comportamento alimentar. Na compulsão alimentar periódica não a eliminação do conteúdo.
 
O pensamento analítico tem como base o indivíduo como o todo, sua abordagem trata o desenvolvimento das funções psíquicas do indivíduo e tudo o que a ela esta relacionando, seja biologicamente, culturalmente, socialmente, psicológicamente, etc.. O desenvolvimento do indivíduo está diretamente ligado em suas relações sociais e experiências vividas, experiências estas que podem ser positiva ou negativa, ativando todos os mecanismos envolvidos na psique e no Self, afetando tanto o mental como o corpo físico, criando defesas para combater os sintomas apresentados, geralmente, inconscientemente. Uma dessas defesas é a projeção e a compensação para melhor lidar com estes conflitos internos. Uma das formas de compensação é eleger um “objeto de prazer” projetando suas dificuldades em lidar com si mesmo. Cada indivíduo adquirirá um objeto, podendo eles ser a comida, sexo, compras, álcool, etc., podendo desenvolver as dependências, abusos e compulsões.
 
E é com o enfoque mente e corpo que desenvolveremos a visão que a psicologia analítica nos trás sobre os transtornos alimentares.
 
Ao nascermos criamos a necessidade de desenvolver uma consciência corporal, que inicialmente está intimamente relacionada aos cuidados básicos da mãe (cuidadora) e se isso não ocorrer o indivíduo não desenvolverá a conscientização corpórea (sua imagem como um todo), ativando complexos e levando-o ao distanciamento de seu self, sua alma, sua essência. Desta forma, criando um vazio interior que necessita ser preenchido com algo ou alguma coisa, “objeto”, podendo desenvolver diversos tipos de compulsões e dependências para suprir esta carência de si próprias.
 
Temos uma imagem arquetípica da grande mãe cuidadora, que será desenvolvida ao longo de nossas vidas, mas os primeiros cuidados básicos serão marcantes para a vida do bebê/criança. No caso da compulsão alimentar, se a mãe não for capaz de reconhecer o seu corpo e feminilidade, consequentemente não conseguirá se amar como seres femininos completos e não transmitiram o amor necessário aos seus filhos, gerando um grande medo profundo inconsciente nestes primeiros momentos da vida da criança.
 
Desta forma, este afeto e carinho não transmitido pela mãe pode se transformar na figura simbólica da comida, levando a anorexa rejeitar a comida e a bulímica a socar a comida “goela abaixo” em atitudes desesperadoras na busca de aceitação ou rejeição desta mãe.
 
Com a ingestão ou a falta do alimento/comida, o corpo projeta na estrutura física as consequências pelo ato compulsivo, mostrando, claramente, sinais de advertência que algo não está correto, já que a pessoa não consegue perceber as alterações psíquicas que vem ocorrendo em seu processo de desenvolvimento. Assim, o corpo envia sinais de advertências que devem ser ouvidos e obedecidos e não ignorados. O corpo nos protege e nos guia aos mostrar estes sinais e sintomas nos levando a uma tentativa de religação com nós mesmos, com a alma/essência perdida.
 
A criança, em seu desenvolvimento inicial expressa toda a sua naturalidade criativa de expressão, é sua alma expressando a sua vida plena e total. Com o decorrer do desenvolvimento esta naturalidade acaba sendo silenciada pelas imposições inconscientes dos pais, da sociedade que já estão “adoecidos”, pois não se consegue perceber esta expressão. Assim a criança se torna um adulto faminto e vazio, buscando algo para preencher este buraco através de objetos simbólicos, como a comida, compras, sexo, álcool, etc. Criando uma rejeição profunda de si e do corpo.
 
Também a grandes exposições da criança a valores sociais como ter bom emprego, ter estabilidade, ser bom esposa/esposa, ser bons pais, etc., desta forma fazendo que o ser humano corra e corra indiscriminadamente atrás destes objetivos, e isto, pode se tornar algo compulsivo transmitido a criança, se vendo responsável em realizar os mesmos padrões de comportamento, buscando aprovações exteriores.
 
Ao chegarmos a idade adulta desenvolvemos está mesma correria frenética aos valores transmitidos que acaba nos servindo para afastar do trágico medo de não sermos amados, causando grande terror interior que nos leva a comportamentos autodestrutivos. Desta maneira, o adulto cresce acreditando que o exterior é o mais importante e passa a buscar o amor externamente esquecendo-se de amar a si mesmo, desenvolvendo a sensação de ser necessário agradar ao outro e esquecendo de si. Woodmaan (2003) afirma isto quando diz que:
 
“O processo de crescer se torna um exercício de adivinhação de como agradar os outros, em vez de uma expansão por meio de experiências. Não há crescimento sem sentimentos autênticos. As crianças que não são amadas em seu próprio ser não sabem como se amar. Quando se tornam adultos, têm de aprender a alimentar sua criança perdida, a ser a sua própria mãe.”
 
E como alimentar esta criança perdida? Uma das formas é desenvolvendo a compulsão alimentar, comendo e comendo suprindo a nutrição da alma, fantasiosamente, gerando sintomas que causam o distanciamento do corpo e de si mesmo, instigando uma ira íntima que se não compreendida e transformada acumula de geração a geração.
 
Sendo assim, é necessário que este adulto com a compulsão resgate em seu interior, a criança que foi calada, recuperando a sua alma e se responsabilizando pela sua própria vida de modo criativo e espontâneo, fugindo assim do vazio e criando real sentimento de pertencimento. Mas este não é um processo fácil de ser reconhecido e transformado, é necessário que haja o reconhecimento do que o faz se ligar a este objeto de compensação (a comida), trabalhar sentimentos de frustações, autocrítica e auto avalição como forma de prevenir o comportamento compulsivo e consiga realizar o seu processo de individuação. 
 
Alguns conceitos Junguianos:
 
Complexo: imagem de qualquer experiência que provocará uma reação fortíssima, com força própria, que pode atuar de modo arrebatador e intenso no controle de nossos pensamentos e comportamentos.
 
Imagem Arquetípica: são imagens universaism ou imagens primordiais como conceito de mãe, imagens espontaneamente e temas semelhantes aos da mitologia grega, mitologia egípcia, entre outras culturas que nos são passadas de gereções em gerações.

Processo de Individuação: processo de desenvolvimento da personalidade pela diferenciação psicológica do eu. Processo que significava tornar-se um ser único, alcançar uma singularidade profunda, tornando-nos o nosso próprio Si-mesmo.

Self: O Eu, o arquétipo da totalidade e o centro regulador da psique.
 

Referências



WOODMAN, Marion. A Feminilidade Consciente. São Paulo. Paulus, 2003.
Classificação das Doenças Mentais: DSM-IV. Disponível em <http://www.psicosite.com.br/cla/d_alimentar.htm>. Acesso em 01 out 2012.
Disponível em <http://www.salves.com.br/j-gloss.htm>. Acesso em 02/12/2012.
Disponível em <http://www.pucsp.br/clinica/publicacoes/boletins/boletim20_11.htm>. Acesso em 02/12/2012.




Simone Aparecida Baldavia Girotto
Psicóloga

25 outubro 2012

Indicação do Filme Além da Vida (Clint Eatwood)

             Nesta quinzena, gostaria de indicar o filme Além da Vida, de Clint Eatwood. Longe de abordar a questão da fé em vida além da morte, faço a indicação do filme citado por considerar que o mesmo traz exemplos de relações parentais abusivas, que se escondem num envólucro de falsa boa vontade.

O filme ilustra 3 situações de personagens desconhecidos entre si: uma repórter que sobrevive a um tsunami e que, aparentemente, é ajudada pelo namorado em sua recuperação do trauma; um garoto cuja mãe é viciada em drogas e desencadeia uma situação de inversão de papéis familiares com os filhos gêmeos; um trabalhador braçal que pretende ficar afastado do dom que possui e é insistentemente pressionado pelo irmão a ganhar dinheiro por meio da vidência.

Reforço que a indicação do filme não se aproxima da questão de FÉ, e sim, figura como um convite à reflexão diante das nossas próprias relações parentais. É claro que o filme também proporcionará questionamentos existenciais, mas seria bom assisti-lo com o intuito de se perceber:

1. Como se dão as relações parentais na sua família.
2. Quem te apoia em suas experiências pessoais.
3. A quem você apoia em seu círculo de convivência.
4. Que intenções percebem nas ajudas que você recebe.
5. Que intenções depositam nas ações que direciona aos outros.
6. E uma provocação...Responda: o que é a VIDA?

Mande-nos seu ponto de vista!

 
Segue o trailler do filme:

 

Bom filme!

 
Marcelo Louvato Penna
Psicólogo e Arte Terapeuta

15 outubro 2012

“Feliz Dia da Sua Criança”

 
Nesta postagem quero prestar uma pequena homenagem para o “Dia das Crianças”.

Quem tem ou já teve a oportunidade de conviver com uma criança sabe o quanto elas têm o poder de transformar um lar, uma família, uma vida...

Compartilho com vocês o link abaixo que contém um breve trecho do livro “Dicionário de Humor Infantil”, escrito pelo médico Pedro Bloch, contendo inúmeras definições espontâneas e engraçadas que diversas crianças dividiram com ele. Esse dicionário é um presente para todas as crianças: a criança que fomos um dia, a que podemos ser agora enquanto adultos, a criança que temos em nossa vida e aquela que um dia vai chegar...

Deixo também a dica de alguns filmes nos quais a existência de uma criança modificou muitas histórias...

Pequena Miss Sunshine - 2006
A Árvore dos Sonhos - 1994
Jack - 1996
A Vida Secreta das Abelhas - 2008
Minha Vida Por Meus Filhos – 1983

Dicionário de Humor Infantil - Apresentação de slides retirada dos sites:


Imagem retirada do site: http://dibujosideiacriativa.blogspot.com.br/2011/10/criancas-brincando-de-roda-pra-colorir.html


 Josiane Marques de Souza
Psicóloga - EDH

28 setembro 2012

Felicidade


Felicidade, esta pequena e inofensiva palavra nos remete a tantos sentimentos e situações em nossas vidas que podem tanto nos levar a momentos de êxtase como de grandes frustações.

Pensando nisto, resolvi falar um pouco sobre a Felicidade. A humanidade busca a felicidade com uma instensidade tão grandiosa que acaba por não perceber que esta busca intensa as levam a grandes sofrimentos existenciais e essenciais de si mesmos, deixando que momentos de real felicidade sejam valorizados.

Existem teorias que falam em como ser feliz, mas será que todas essas teorias servem a todos como algo comum ou cada pessoa é responsável por identificar o que lhe traz a felicidade?

Alguns especialitas no assunto dizem que a felicidade tem que estar acompanhada de outros fatores importantes para que a alcancemos. Estes 5 fatores são ter um propósito (dedicar-se a uma causa maior do que si mesmo, algo que de sentido a nossa existência), realizações (situações que durante o trajeto lhe traga bons resultados e o término seja um sucesso. Ex: projeto no trabalho), engajamento (envolver-se completamente em uma atividade sem pensar que se lhe trará prazer ou não e que no final percebe-se o gosto), relações pessoais (relacionamentos positivos com amigos, parentes, pessoa amada, etc.) e a felicidade (emoções positivas). Olhar e analisar estas 5 palavras podem nos trazer a sensação de que temos que fazer algo grandioso para conquistar nossos objetivos, mas não é isto que estes especialistas, como Martin Seligman, diz. É necessário alcançar algo que nos traga o bem estar! O bem estar que nos faça sentirmos tranquilos e não euforicos por algo muito maior.

Na comtemporaneidade existe uma busca incansável pela perfeição e pela felicidade que acabamos por deixar de lado os nossos valores individuais e o que realmente nos trará a satisfação e bem estar, nos levando, assim, à tão sonhada sensação de Felicidade.

Felicidade está relacionada a um estado no qual não temos vontade de mudar nada em nossas vidas, está tudo bem então por que mudar? Mas isto também nos trás o comodismo, uma vida estacionada. Se vivermos felizes sempre qual será a motivação que nos levará a buscar novas sensações de bem estar e felidade? Podemos dizer que a busca pela felicidade é o que nos empurra para a frente? E que passar por momentos de ansiedades, angústias, dúvidas e insastifações seria saudável?

Acredito que, mesmo em situações de dificuldade, complicadas, de mudanças internas e externas, possamos ter momentos de bem estar e assim a sensação de felicidade.

E qual será a receita para ultrapassar todas as dificuldades e alcançar a felicidade? Martin Seligman, afirma que um fator importante para conseguir superar a dificuldade é o otimismo. “Os otimistas são mais esperançosos, resilientes, saudáveis e têm um desempenho melhor do que o esperado no trabalho, na escola e nas relações”. “Eles pensam que os efeitos das dificuldades são temporários, e suas causas, específicas, delimitadas. E que a realidade é mutável.”

Desta maneira, é importante compreendermos que a busca pela felicidade não é algo que deva ser único e grandioso e sim facetado de muitas coisas, geralmente pequenas, que nos trazem a sensação de bem estar com nós mesmos!

Por isto, devemos apenas descobrir como viver bem, à nossa própra maneira!

Boa reflexão a todos!

Simone Ap. Baldavia Girotto
Psicóloga 

Referências:
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI236742-15228,00-O+MITO+DA+FELICIDADE.html>.
Disponível em <http://super.abril.com.br/superarquivo/2005/conteudo_125658.shtml>.

 

15 setembro 2012

Metamorfose


Metamorfose..
Mutação.
Vida pulsando...
Transformação.
 
Estou em processo...
Há coisas a aprender...
e há coisas a reprogramar...
Há coisas que sou ...
e não quero ser...
Há coisas que ainda não sou...
e quero ser...
Há coisas que sou ...
e ainda não sei...
mas estou buscando saber...
 
Estou em construção...
Mas já estive em demolição...”
 
(Eliane Stahl)
 
 
Passamos por transformações diárias, seja no âmbito pessoal, profissional, afetivo, psicológico...
 
Mas... sabemos lidar com essas transformações?
 
O que buscamos de fato?
 
Essas perguntas talvez não sejam muito fáceis de serem respondidas, mas a terapia nos auxilia no processo de construção e norteia algumas respostas.
 
E aí... você pode escolher: buscar a construção ou estar em demolição?
 
Kely Oliveira
Psicóloga

02 setembro 2012

Tudo neste mundo tem o seu tempo...

            Sempre me vali somente de palavras para cumprir a minha vez de trazer algo de novo a todos que acompanham este blog.

Desta vez, resolvi mudar e procurei imagens que se juntassem às palavras. Aproveitem o momento para verem belas imagens, ouvirem música e aprenderem um pouco mais sobre o seu tempo.

"Tudo que chega, chega por alguma razão".

 
Sugestão de Atividade:
 
1.       Escolha 2 ou 3 IMAGENS que você mais gostou.
2.      Leia a frase que acompanha as imagens.
3.      Reflita como está seu TEMPO ao qual as frases das imagens se referem.
4.      Pegue uma folha em branco, lápis de cor e canetinhas e desenhe uma imagem que represente como você gostaria que aqueles TEMPOS estivessem em sua vida.
 
Divirta-se!
Marcelo Lovato Penna
Psicólogo

17 agosto 2012

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre!


Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem o fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade de grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Nem pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!

E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesmo nunca tinha sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria a ninguém.

Extraído do livro “O amor que ascende a lua”, de Rubem Alves.

Josiane Marques
Psicóloga

04 agosto 2012

Citação de A Hora da Estrela

"As pancadas ela esquecia, pois esperando-se um pouco a dor termina por passar. Mas o que doia mais era ser privada da sobremesa de todos os dias: goiabada com queijo, a única paixão na sua vida."
(Clarice Lispector)

Reflexão

Quantas vezes no dia a dia nos acostumamos às pancadas por esperarmos que uma única paixão nos complete?
Começa agora mais um mês, mais uma oportunidade de ver e rever quais pancadas você tem se acostumado e se está ressentido não por estas pancadas... e sim por privar-se de sua(s) paixão(ões).

Gisele Bezerra
Psicóloga

20 julho 2012

Poesia: Porque Choras Criança?

Nesta quinzena quero propor uma análise de como é ser adulto que cresceu e que deixou sua criança adormecida.
Será que após nos tornarmos adultos nos permitimos resgatar a criança que existe em nós e que por diversas vezes fizemos a questão de esquece-la por achar que após nos tornarmos adultos temos que “matar” a nossa criança interior.

Para isto compartilho este lindo poema para reflexão:

Porque Choras Criança?

Porque choras criança?
Não devias chorar assim!
Preocupações não tens!
Medos tão pouco!
Porque então estás a chorar?
Choro por tudo o que tens!
Choro por ver em cada adulto
Uma criança morta.
Choro por saber que vou crescer
E que vou matar a minha infância!
Choro sim, mas não por mim,
Choro por ti e por todos os que,
Tendo o dom de ser criança, de
Ver tudo com clareza e pureza d’alma.
Mata a verdade, esconde os sentimentos.
E morrendo diz com orgulho.
Eu cresci, sou adulto!
Eu choro como chora a criança
Dentro de ti!

(Valéria R.)

Simone Ap. Baldavia Girotto
Psicóloga

05 julho 2012

Fanatismo e suas Complicações

            O assunto mais discutido no momento têm sido a decisão da Taça Libertadores da América.
            Temos vistos torcedores fanáticos, torcendo, chorando, sofrendo pelo time, desenvolvendo rituais que acreditam que influencim na decisão do título e são capazes de qualquer coisa que julguem necessárias para “empurrar o time”.
Dentro desse contexto, resolvi abordar o tema “Fanatismo e suas complicações”. A idéia é explanar o assunto e demonstrar que, se não controlado, afeta a vida pessoal e psíquica de cada um.
Fanatismo é o estado psicológico caracterizado por fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa, causa ou tema. Esse estado psicológico é extremamente freqüente em paranóides e pode apresentar delírios.  

Em Psicologia,  os fanáticos são dotados das seguintes características: 

Agressividade;
Preconceitos diversos;
Estreiteza mental;
Ódio;
Sistema subjetivo de valores;
Intenso individualismo;
Extrema credulidade à causa, com incredulidade total quanto a causas contrárias;
Demora excessivamente prolongada em determinada situação/circunstância.

Em geral, a conduta da pessoa fanática é marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções.
O fanático tem uma visão de mundo bastante dicotômica, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando o indivíduo a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista.
Tradicionalmente, o fanatismo aparece associado a temas de natureza religiosa ou política, porém, mais recentemente, ele se tem mostrado também em outros cenários, como os das torcidas de futebol.
Para os fanáticos torcedores, jogos decisivos para classificações em campeonatos, ou mesmo, conquista de títulos são verdadeiras torturas. Afetam seu humor, os deixam apreensivos, tensos, agressivos. No momento do jogo, os fanáticos torcedores são acometidos por sintomas físicos, sendo os mais comuns: sudorese, palpitação cardíaca, nervosismo excessivo, tensão muscular, dentre outros.
É necessário controlar esses estímulos, pois, via de regra, o fanático oferece riscos à sociedade e deve ser contido, às vezes, chegando a ser detido como punição de seu comportamento.
Mas o fanatismo tem cura! O primeiro passo é reconhecer-se como tal e o segundo passo é buscar a ajuda profissional de um psicólogo, sendo a terapia uma grande aliada nesse tratamento.

                                                                                                                                                   
Kely Oliveira
Psicóloga